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Abrimos inscrições para os retiros de verão

Equipa Tambores de Gaia 3 min de leitura
Abrimos inscrições para os retiros de verão

São dois fins de semana, doze pessoas de cada vez, na Mata do Buçaco. Aqui fica tudo explicado antes de decidires — incluindo aquilo que o retiro não é.

Há coisas neste ofício que só se aprendem com as mãos. Podemos ler tudo o que foi escrito sobre madeiras, tensões e frequências — e ainda assim chegar ao atelier e perceber que a peça à nossa frente não leu nada disso. É por aí que começa quase todas as histórias que contamos aqui.

Quando começámos, achávamos que fazer um tambor era um problema técnico. Encontrar a madeira certa, cortá-la à medida certa, esticar a pele até ao ponto certo. Levou-nos alguns anos a perceber que o «certo» muda conforme a estação, conforme a árvore e conforme quem vai tocar.

O que a madeira decide sozinha

Duas peças cortadas da mesma árvore, no mesmo dia, com a mesma serra, podem soar de maneira completamente diferente. A densidade varia dentro do próprio tronco. O lado que apanhou mais sol tem outra fibra. Isto não é um defeito a corrigir — é a razão pela qual não há dois tambores iguais.

Um bom tambor não se fabrica — cresce, à mão, e leva o tempo que a madeira quiser levar.

A pele traz a sua própria vontade. Tensioná-la é uma conversa: puxa-se um pouco, ouve-se, deixa-se descansar, volta-se no dia seguinte. Quem tem pressa acaba sempre com um som apertado, sem corpo, que morre depressa.

Trabalho de montagem no atelier
No atelier da Figueira da Foz, cada peça passa por várias mãos antes de ter voz.

O que aprendemos pelo caminho

Ao fim de mais de uma década, ficámos com um punhado de certezas — poucas, mas firmes:

  • A pressa é o único material que estraga sempre o resultado.
  • Uma pele mal escolhida não se salva com técnica nenhuma a jusante.
  • O som que o cliente procura raramente é o som que ele descreve ao telefone.
  • Um instrumento que não é tocado deixa de soar bem ao fim de um ano.

É por isso que insistimos tanto nos círculos e nas oficinas. Um tambor fechado numa sala é madeira e pele. Um tambor que anda em rodas, que passa de mão em mão e apanha suor, esse sim vai amadurecendo — e ao fim de alguns anos tem uma voz que não tinha quando saiu daqui.

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